Reforma Agrária: disputa entre Kátia Abreu e Patrus Ananias
Tocantins 24h
Em suas primeiras declarações Kátia Abreu jogou a tensão no ventilador ao declarar ao jornal Folha de S.Paulo, em entrevista publicada na segunda-feira, que "latifúndio não existe mais " no país e que a reforma agrária deve ser "pontual, para os vocacionados (para o campo)".


Da Redação

A tensão se deve pela disputa entre O MAPA - Ministério da Agricultura, Pecuária  e Abastecimento, e O MDA - Ministério do Desenvolvimento Agrário, comandado por Patrus Ananias (PT). Enquanto o MAPA tem foco maior nos grandes produtores, o MDA dá atenção especial à população rural mais pobre.

No discurso de posse Patrus reagiu, disse que "ignorar ou negar a permanência da desigualdade e da injustiça é uma forma de perpetuá-las". "Por isso, não basta continuar derrubando as cercas do latifúndio; é preciso derrubar também as cercas que nos limitam a uma visão individualista e excludente do processo social", disse.

Ananias defende a "função social" da propriedade, segundo o qual o o imóvel rural deve ser produtivo, preservar o meio ambiente e cumprir as leis trabalhistas. Caso contrário, tem de ser desapropriado para reforma agrária, afirma a Carta Magna.

O ministro Patrus Ananias, nome histórico do PT, tem poder político para fazer frente ao crescente prestígio de Kátia Abreu junto à presidente e intensificar novamente esse processo. A ministra foi nomeada apesar da resistência do próprio PMDB, que preferia a manutenção de Neri Geller no comando da Agricultura.

Abreu fez um pronunciamento na segunda-feira muito mais conciliador do que a entrevista concedida à Folha de S.Paulo, na qual, além de negar a existência do latifúndio, declarou que os conflitos fundiários com indígenas ocorrem porque eles "saíram da floresta e passaram a descer nas áreas de produção".

Já no seu discurso, a ministra, que é odiada por ambientalistas, defendeu o uso sustentável da água e disse que "há alternativas para produzir sem comprometer o meio ambiente". Além disso, afirmou que seu ministério não fará segregação.

"Este será o ministério dos produtores rurais, sem nenhuma espécie de divisão ou segregação, e das empresas. Será um ministério da produção. Mas será acima de tudo um ministério do diálogo. Um ministério dos brasileiros", afirmou Abreu, encerrando seu discurso.

Já Ananias, afirmou em seu pronunciamento que o MDA vai "buscar ações concertadas com todos os ministérios e órgãos públicos nacionais que tenham conosco áreas afins e complementares".

"Acho que há uma grande vantagem aí: a Kátia tem pretensões políticas maiores, e o Patrus tem uma sensibilidade social muito grande. Então, há uma possibilidade que ele faça a Kátia Abreu sair desse reinado ruralista e descer até o lado das interações sociais. Por um lado, a escolha (dos dois) tem um potencial que antes não existia", analisa um consultor.

Além disso, vale notar que a própria presidente Dilma Rousseff, conhecida pelo seu estilo centralizador e gosto em intervir diretamente nos ministérios, quer puxar a atuação do Ministério da Agricultura para a área social.

A presidente deu orientação direta à nova ministra para que aumente a classe média rural. Katia Abreu assume com uma meta objetiva de dobrar o tamanho da classe C no campo.

Fonte: Ultimo Segundo

Particpe do grupo Tocantins 24 horas no whatsapp: 63 8462-5608
Postagem Anterior Próxima Postagem

POLÍCIA

meio ambiente